segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A memória e a culpa são amigas bem próximas.

    Eu estava assistindo um episódio de Black Mirror que mostrava uma tecnologia capaz de fazer as pessoas apagarem todas as memórias que tinham com alguém com um simples apertar de botão. Bastava clicar em block para que as pessoas não precisassem mais visualizar os rostos daqueles que gostariam de esquecer, e o melhor, ao apertar o famoso botão, os ditos cujos também não poderiam mais entrar em contato de qualquer forma com aquele que decidiu ignorá-los. Normalmente os episódios dessa série me deprimem bastante, mas preciso confessar, quando terminei esse capítulo torci em silêncio pra que tal tecnologia fosse inventada logo. Já imaginou? Poder fugir de todas as lembranças e suas dores com um clique? 
    Alguns dias depois, comecei a assistir uma entrevista com Eliane Brum, uma das minhas escritoras preferidas. Na entrevista, ela falava sobre seus escritos, histórias ignoradas que ela faz questão de contar. Gosto de pensar que Eliane da voz a aqueles que não queremos escutar, afinal, quem gosta de ouvir sobre pobres coitadas de países subdesenvolvidos que estão morrendo de doença de chagas e não tem para onde correr? Esse tipo de realidade fere a gente, e a gente não quer mais feridas, nós queremos deitar na cama após um dia exaustivo de trabalho e assistir uma comédia no netflix, ou sair para beber umas com os amigos e deixar as preocupações para lá. Já estamos muito imersos em nossas próprias dores para ter de pensar sobre as dores dos outros, não é?
     Bom, na entrevista, Eliane conta que conheceu uma dessas garotas. Seu nome era Cristina, e ambas conviveram por dois meses durante uma viagem da escritora à Bolívia. Eliane sabia que não ficaria lá para sempre, e também já imaginava o que o destino deixaria para sua amiga boliviana quando ela se fosse. Cristina também sabia, e no dia em que as duas se despediram, fez uma súplica – ainda que soubesse que não poderia ser atendida – à amiga brasileira: “Não me deixa aqui pra morrer”, foi o que ela pediu. Com o coração na mão, Eliane fez a única promessa que conseguiria cumprir: “Eu vou contar sua história”.
     Ao retornar, a escritora se afoga em uma tristeza profunda. Se sente pequena e completamente inútil, afinal, suas palavras não poderão salvar a vida de Cristina, e nesse momento, muito menos a sua. Eliane conta que durante dias, ela mal conseguia comer, que sua pequenez em meio a aquela situação toda, tão maior que ela, estava a destruindo. Até o dia em que percebeu que seu sofrimento a estava impedindo de cumprir a única promessa que havia feito a sua amiga: contar sua história. E se a história de Cristina não fosse contada, ninguém além das duas conheceria seu sofrimento. Se as pessoas não a lessem, Cristina não mais existiria, e as dores que as duas sentiram seriam em vão. Eliane publicou a história da amiga, e isso fez a dor amenizar – ainda que continuasse existindo.
Eliane conta essa história com uma voz leve e calma, mas ao ser questionada sobre a leveza de suas frases, ri. Não se sente leve – pelo contrário! – Convive com um peso enorme dentro de si. Um peso que é só seu, e do qual não abre mão, pois é parte de sua vivência como narradora de histórias desconhecidas. 
     Nos minutos seguintes, Eliane fala sobre a importância que nossas dores têm, e como perdemos tempo tentando ignorá-las. A dor, assim como a felicidade, é um sentimento pleno, e mais uma prova de que estamos vivos e somos capazes de sentir. E se a gente não sentir, o que isso nos torna?
     Depois da palestra, voltei um pouco atrás sobre o episódio de Black Mirror. Pensei em todas as minhas dores, e nos rostos que já rezei tanto para esquecer. Algumas lembranças me levam a lugares tão sombrios, que eu sinto medo, e o medo – ao contrário do que muitos acreditam – é um grande motivador. Eu sinto tanto pavor de reviver aquele passado no presente ou num futuro, que as lembranças me fazem querer mudar. E eu preciso delas pra saber o que eu não quero voltar a me tornar, o que eu não quero voltar a fazer, e quais são os rostos que eu não quero mais encontrar.

Lembrar pesa, dói, e esquecer de tudo o que machucou, de fato, seria uma forma de fuga maravilhosa. Mas quando a gente nega, fica mais vulnerável a viver a dor de novo, e de novo, e de novo... Até cansar de fugir.
      O esquecimento torna toda a dor vã, e nós precisamos dar a ela um propósito. 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Inquietações.



   Hoje eu decidi falar sobre uma das surpresas mais maravilhosas que a vida me deu de presente. Um dos melhores amigos que eu tenho, um dos caras mais incríveis que eu já tive a chance de encontrar.Nós nos conhecemos no início de 2014, mas começamos a conversar direito só em Julho. 
   Diz ele que na primeira vez que nos vimos pessoalmente eu o ignorei, como se não o conhecesse, mas eu não me recordo direito da tal ignorada, o que eu lembro é que quando o vi pessoalmente pela primeira vez, numa festa de república, não consegui associá-lo à sua foto do perfil do facebook (até então só nos conhecíamos via internet, e na foto ele não usava o cabelo black power e nem aparentava ter quase dois metros de altura).
   Começamos a conversar em Julho, ele me mandou uma mensagem no whats contando que estava atolado de coisas pra fazer, e que nunca mais queria se enfiar em tanta coisa ao mesmo tempo (mais tarde nós descobriríamos que isso era uma grande mentira, pois seu jeitinho workaholic não deixa que ele sossegue nunca, por mais que a gente implore pra ele descansar!). Não me lembro exatamente do momento em que ficamos tão próximos, mas quando me dei por mim nós fazíamos parte dos mesmos projetos, estávamos sempre nos mesmos grupos de trabalho, íamos juntos às mesmas festas, e compartilhávamos um com o outro nossas alegrias, anseios, medos e sonhos. Eu ganhei mais um irmão, que estaria sempre ali pra me ajudar, sendo com um conselho, um ombro pra chorar, ou pra tirar eventuais borboletas que entrassem na minha casa (se você não sabe, eu tenho pavor desse bicho horroroso).
   Quem estava de fora via o quanto a gente era unido e gostava um do outro, mas nosso companheirismo acabava sempre gerando a ideia errada nas pessoas. Alguém sempre vinha com uma piadinha de como nós éramos um casal bonito, mas a gente não levava a sério. A gente sabia que não tinha nada a ver. Um dia, por puro tédio, nós resolvemos entrar na brincadeira. Colocamos que estávamos em um relacionamento sério no facebook, só pra não perder a piada. A galera foi à loucura, ficamos assustados com a alegria que as pessoas aparentavam sentir com aquilo. Poucas horas depois desistimos, pois notamos que as pessoas não tinham percebido a piada e estavam levando nossa brincadeira à sério demais. Piada besta, assumo.
   Continuamos amigos, ele conheceu uma garota maravilhosa, e agora estão namorando. E eu estou me cagando de medo de perder um dos melhores amigos que eu tenho, mesmo sabendo que essa insegurança não tem sentido, por serem duas coisas completamente diferentes. Mas esse texto não é só sobre o amor que eu sinto por essa pessoa especial, e muito menos sobre perdas. Esse texto está sendo escrito pra mostrar que é possível que duas pessoas de sexo oposto se encontrem ao longo da vida e constituam uma amizade bonita e sem intenção alguma de ultrapassar essa linha. Ele me provou isso, e eu achei essa descoberta linda (sim, descoberta, porque até o dia em que a gente se conheceu sempre que eu começava a desenvolver um pouco mais de afeto por algum amigo, colocavam uma pressãozinha social pra que a gente começasse um romance, e eu ficava tão confusa, que passava muito tempo questionando. E se eu não sentisse a tal atração física e romântica que a plateia cobrava, vinha uma culpa imensa, ainda que eu não tivesse certeza se o cara também não sentia nada, ou se ele correspondia às expectativas das pessoas).

   Hoje eu sei que não existe nada de errado em fugir dessa regra louca que não sei quem inventou. Também tenho total convicção de que amizade entre homem e mulher existe sim, e pode ser tão simples e honesta quanto a de duas mulheres, ou dois homens. E essa é uma sensação libertadora, porque a melhor coisa que existe é você se sentir bem o suficiente pra começar uma amizade sem medo dela ser mal interpretada. Inclusive, eu recomendo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Seu nome é Guaraciaba, mas eu a chamo de vó.

   
   Dona Ciaba adora cozinhar, e foram suas mãos que fizeram os melhores doces que eu já comi. Ensinou o ofício às filhas, e eu, que sou neta, passei a infância bisbilhotando na cozinha, querendo aprender. 
   A televisão também é sua amiga de tempos, ela adora Ana Maria Braga, é fã de uma boa novela e dia desses me contou que está adorando Velho Chico. Disse que o cenário de época é muito bonito e a história é ótima. Nunca vi nenhum episódio, mas acredito nela, e tenho certeza que seus anos como fã e espectadora fiel dessas dramaturgias a deram muito mais conhecimento sobre quais são as melhores histórias do que qualquer uma das minhas aulas da faculdade.
   Também gosta muito de decorar, e acredito que isso eu peguei um pouco dela. Está sempre mudando os móveis de lugar, nunca teve medo de mexer, remexer e reinventar a própria casa com aquilo que já estava ali. Isso me ensinou muito sobre casas, e sobre o coração também. Talvez a gente não precise de outras coisas e sentimentos, e trocar a ordem em que eles estão façam uma diferença enorme.
   Fim de semana passado eu fui visitá-la, e ela me apresentou ao seu jardim, no qual cultiva flores lindas. Tem orquídea, romã e outras flores que meu pífio conhecimento sobre plantas não me deixa nem saber nomear. Mas dá pra ver que são todas muito bem cuidadas, com todo o seu carinho. E eu achei tão bonito, que até me repreendi por não ter carregado a bateria da câmera na noite anterior pra tentar fazer algumas fotos. Consegui tirar algumas do meu celular, mas não acho que nenhuma foto faria jus a experiência de conhecer ao vivo, escutando aquilo ela dizia enquanto me mostrava.
   Dona Ciaba é dona de muitas outras histórias, habilidades, sentimentos e vivências. Algumas delas eu ainda não tive a oportunidade de escutar, outras o tempo apagou da minha memória, e tem ainda as que eu conheço, mas escolhi guardar pra mim.
Hoje eu acordei com vontade de falar sobre ela, e de como é bom vê-la, ainda que as visitas sejam mais breves agora. Nem mesmo a distância  e os contratempos me fizeram parar de admira-la, e acho que vou carregar esse sentimento bom sempre. Me sinto honrada em conhecê-la, e queria que mais pessoas o fizessem também.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Exaustão.

   É pouco mais de meia noite e meia e eu estou exausta. Meu dia começou às cinco da manhã de ontem e parece que não vai acabar nunca. Corre pra cá, vai pra lá, veja isso, anota aquilo, marca e desmarca compromissos na agenda. Queria dormir uma horinha antes da próxima ocupação, mas não dá tempo. Corre mais um pouco então, que se seu dia rende logo, você pode deitar mais cedo à noite. 
   Mera ilusão. Meia noite e meia e eu continuo aqui. Na teoria, as tarefas que cabiam a mim executar hoje já foram realizadas, mas aí, ao deitar na cama e deixar os olhos se fecharem, a mente chama: não, não, querida, você ainda tem coisas pra resolver! Sabe aquela história mal acabada? Você não acha que devia elaborar um plano pra colocar um ponto final? E aquela frase não dita? A vida é curta, lembra? Você devia abrir essa boca logo, antes que o tempo acabe.
   Tento me concentrar na minha respiração, mas a rinite ataca e eu começo a espirrar. Presente, passado, futuro, ATCHIM! Eu só queria descansar por algumas malditas horas, será que é pedir muito?
   O tempo continua passando, as lembranças e os anseios se aproximam mais e mais. Começo a pensar em tudo e sinto vontade de gritar.
   AS PESSOAS NÃO SÃO BRINQUEDOS e é muita ousadia da nossa parte tentar transformá-las em marionetes até cansar da brincadeira e jogar de lado em seguida.
   IMPÔR A SUA OPINIÃO NÃO VAI FAZER NINGUÉM QUESTIONAR PORRA NENHUMA, acho que vou tatuar isso na minha testa, e nas de alguns conhecidos que também não conseguiram aprender isso ainda. Quem sabe assim a gente entende?
   SE EXISTEM TANTAS FORMAS DIFERENTES DE VIVER, PORQUE A GENTE NÃO SE PERMITE EXPERIMENTA-LAS? POR QUE A GENTE PASSA TANTO TEMPO JULGANDO, CRITICANDO E MENOSPREZANDO AS ESCOLHAS DOS OUTROS SE NÃO DIZ RESPEITO À NOSSA MALDITA VIDA? E aliás, por falar em vida, quando a minha, a tua, a do Eduardo Cunha, Dilma, Aécio, e até a do Papa acabarem, nós vamos todos pro mesmo lugar. Da terra viemos, pra terra voltaremos, e juntos, seremos todos pó, então porque a gente não para e se deixa? Por que o meu nariz não para de escorrer? Por que eu não fecho meus malditos olhos e adormeço?


terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Absurdo Relato de Corpos Exaustos.

Mariana acorda às seis pra ir pra aula às sete e estuda até às dezoito. Em seguida corre pra casa, toma um banho rápido e às vezes não dá nem pra jantar: precisa ir pro trabalho, que é onde ela fica até às onze. Volta pra casa um caco e antes de se jogar na cama, ainda precisa tirar forças pra encher o estômago vazio e tomar um segundo banho. Completo o ritual, se deita, por volta da uma e meia da manhã, e adormece.
Julio também acorda cedo. Oito da manhã. Da faculdade, pro estágio, e de lá pra reuniões de trabalhos independentes. Chega em casa por volta da meia noite. Diferente de Mariana, ele nem come, dorme sem pensar. O garoto, de dezenove anos, ainda é sustentado pelos pais. Apesar do trabalho contínuo, ainda está naquela fase de ganhar em experiência. Pra depois, se tudo der certo, aí sim, conseguir ganhar algum dinheiro.
Pra ajudar nas contas de casa, Mariana vende cosméticos nas poucas horas vagas. Julio conserta objetos quebrados pra ganhar alguns trocados. 
O dinheiro é pouco, mas é suficiente pra uma festinha ou outra no fim de semana. Uma roupinha nova vez por outra. Sabe como é...
"Sei?" Indaga Geraldo, nos seus trinta e poucos anos e olhar desconfiado. Indaga que com a idade dos garotos já era assalariado, trabalhava dia e noite, e quase não tinha tempo pra dormir, pois a junção da faculdade não deixava. Geraldo exibe o sono perdido, os fins de semana trancado numa sala fechada em frente a um computador, e a falta de tempo pra pensar em namoradas ou ao menos ver um filme no cinema. É seu troféu. Pagou as próprias contas com seu próprio suor e sangue, enquanto os estudantes se dão ao luxo de conseguir dormir de quatro a cinco horas por noite e -veja que absurdo! - juntar alguns trocados pra se divertir! E enquanto isso, seus pais são escravizados em trabalhos cansativos e extremamente mal remunerados pra sustentar os filhos, sem ter um centavo a mais pra gastar. Um segundo a mais pra viver pra si.
E eles, eles sim são os corretos. Assim como Geraldo, abriram mão da própria vida pelo bem de sua integridade. Da boa fama, da admiração dos invejosos, que trabalham tantas horas quanto eles e conseguem ganhar ainda menos. Dos aplausos de seus contratadores, que aprovam o esforço, apesar de quase nunca oferecerem algum reconhecimento.
Mariana vive cansada, pois não tem mais tempo pra nada, mas não pode reclamar, afinal, ela faz tão pouco. Ela tem comida na mesa, ajuda os pais a pagar as contas, e ainda se dá o privilégio de gastar o pouco dinheiro que lhe resta com futilidades. Absurdo! Julio passa o dia todo tentando omitir a inferioridade que sente por ser sustentado pelos pais, que trabalham feito burros de carga, enquanto ele se dá ao luxo de não fazer nada além de estudar, estagiar, realizar trabalhos por fora da faculdade, sem receber nenhum tostão por isso e ainda se permitir gastar o pouco que arrecada com seu pequeno ofício de consertar coisas tomado uma cerveja no fim de semana. Absurdo!
Bem que Geraldo disse! Os jovens de hoje folgam de mais , fazem de menos, e ainda querem o direito de poder viver um pouco! É absurdo! 
Antigamente o dinheiro tinha mais valor que o ser humano!

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Desvendando Amélia.

  Já tem um tempo que ouço falar sobre ela, sempre de um jeito pejorativo, mas - talvez por pura falta de cultura - nunca soube direito quem era. Resolvi vencer a curiosidade, e após alguma pesquisa no google finalmente descobri quem era Amélia.
  A mulher perfeita de Mário Lago e Ataulfo Alves, conhecida pela falta de vaidade e por achar bonito passar fome ao lado do marido. Um perfeito exemplo de submissão: De fato, Amélia é a mulher ideal para qualquer homem tradicional e conservador, convenhamos. Já li vários dizeres feministas falando criticamente sobre ela, e até a cantora Pitty tentou desconstruí-la em uma de suas canções. Ainda bem, penso, mas então, questiono quem de fato teria sido essa mulher, cuja passividade é tão famosa e repreendida.
  Encontrei a resposta em uma reprise do Fantástico, em um quadro no qual eles desvendando as origens de musas da música brasileira. Amélia era doméstica da cantora Aracy de Almeida, e foi apresentada a Mário e Ataulfo pelo irmão da cantora, Almeidinha, que zombava da doméstica, pois era uma mulher humilde, que trabalhava, sem reclamações, realizando todas as tarefas do lar, e ainda tinha seu pouco salário furtado pelo marido. Almeidinha dizia que Amélia contava que às vezes passava fome ao lado do marido, mas achava o sacrifício bonito. Foi daí que os compositores criaram a famigerada música.

  Entendi a origem da música, mas ainda me pergunto quem era a verdadeira Amélia por trás dela. Quais eram seus desejos e vontades? E suas motivações? Quanto deboxe ela aguentou calada? Ou será que aquilo não a chateava? E seus sonhos? Quais teriam sido as ambições que lhe foram tiradas? Pena que Mário e Ataulfo não se deram ao trabalho de perguntar.

Maria Elisa Nascimento

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A despedida.

Eram cinco da tarde de uma terça-feira. Isa bateu na porta e ouviu uma voz conhecida, porém agora bem mais fraca, dizer pra que entrasse. Entrou devagar.
- Boa tarde, Dora! Como você está hoje?
O quarto era pequeno. Paredes preenchidas de pinturas, um guarda-roupas, uma penteadeira antiga e, no centro do cômodo, uma enorme cama de casal. Dora estava deitada, quase escondida, por baixo de tantos cobertores. O rosto franzido enaltecia suas rugas, e a boca semi-aberta dava a ela uma expressão de dor. Isa se sentou na cama e segurou as mãos envelhecidas da amiga, que tremiam um pouco mais que no dia anterior.
- Tô feliz que você veio me ver.
Dessa vez sua voz saiu quase como um sussurro. Os olhos quase fechados, lutando pra se manter um pouco abertos, os lábios, trêmulos como as mãos, esboçavam um sorriso. Isa tentou sorrir de volta, enquanto lutava pra que as lágrimas não lhe saltassem dos olhos.
Estava fazendo um mês que Isa assistia a dissolução de sua amada amiga Dora.
Dora, que sempre fora exemplo de vitalidade e movimento. Que estava o tempo todo tramando alguma coisa, lendo sobre um tema diferente, conhecendo pessoas e lugares novos e aproveitando o doce e o amargo da vida. Gostava do exótico, vez ou outra dava um desejo forte, e ela comia queijo com peixe e manga no café da manhã. Seu passa-tempo favorito era visitar todos os brechós que encontrasse, cheirar as roupas e objetos que lhe chamavam a atenção e depois inventar histórias sobre seus antigos donos. Passava suas fábulas pra um caderninho azul, que estava sempre com ela (não se sabia quando iria encontrar algum cheiro que lhe despertaria uma nova narrativa!). Tinha medo de gatos, e sempre que via um latia pra tentar assustá-lo. Dizia que era assim que ela os enfrentava e mostrava que não os deixaria impedi-la. Mas esse é só um prefácio da doce aquariana com ascendente em peixes e lua em gêmeos que Isa aprendeu a amar.
Primeiro vieram as dores nas costas, que em menos de uma semana se espalharam pras pernas. E então, pela primeira vez na vida, Dora passou um dia todo na cama. Chorou no fim da tarde quando Isa foi encontrá-la. Queria ver o sol, latir para gatos, e aproveitar o aroma de objetos descartados. Nos dias seguintes Isa começou a lhe trazer algumas peças e objetos antigos pra que ela pudesse inventar novas histórias. Achava que sequestrar um gato na rua pra que a amiga enfrentasse não seria uma ideia inteligente, mas ao menos o pequeno prazer de sentir aromas empoeirados ela poderia proporcionar.
Mais uma semana se foi, e com ela, grande parte do olfato de Dora, assim como a visão, da qual ela começava a reclamar constantemente. Depois vieram as tremuras, cada vez mais fortes, e a fraqueza do corpo, a cada dia mais pálido.  
Isa deixou as lembranças de lado ao perceber uma quietude que não devia estar ali. As mãos de Dora já não tremiam mais. De repente não se ouvia mais tosse alguma. Os olhos da amiga estavam fechados. O coração de Isa saltava no ritmo frenético das lágrimas, que não paravam de cair.  Ela já sabia que aquilo aconteceria, e até ansiava por aquele momento. Não aguentava mais assistir aquele desmanche, e sabia que seria o melhor, tanto pra ela quanto pra Dora. Mas ainda assim não foi menos doloroso. Sentia um mix de alívio e tristeza. Como seria dali pra frente? Saiu correndo, e enquanto corria, as lembranças voltavam, as lágrimas aumentavam e o coração saltava.
E agora? Como vai ser?
Olhou pra frente e viu um vulto de sombra desconhecida. Parou, assustada. Sentiu alguém a cutucando. Virou-se pra trás.
Som de palmas e um coro a gritar:
- ISADORA! ISADORA! ISADORA!
Isadora está numa sala repleta de pessoas, presentes, e balões. Em sua frente, há uma mesa com vários doces e um bolo com velas.
- Isa, faz um pedido! - diz uma garota, enquanto cutuca Isa, que pula de susto antes de fechar os olhos e assoprar as velas de vez.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Um dia difícil para os sonhadores.

"Estamos passando por uma época difícil" - disse Gilda, minha antiga psicóloga na noite de ontem, quando eu fui me consultar de novo após dois anos acreditando piamente que conseguiria me virar sozinha. Além de descobrir que muitos dos atuais dilemas são os mesmos dos meus dezessete anos, fui arrebatada por algo que eu já venho sentido a um tempo, mas cujas razões ainda não me eram tão claras como agora. "Não é a primeira vez que acontece uma crise no Brasil, nós já passamos por isso antes. E outras pessoas também passaram, mas é preciso manter em mente que é uma época pessimista. Ninguém sabe ao certo onde vamos parar, as previsões não são boas, e essa negatividade está tão forte, que a gente acaba incorporando inconscientemente." continuou Gilda, acendendo uma pequena luz no lugar do enorme ponto de interrogação que alarmava minha cabeça. 
A desesperança se alastrou, submergindo ainda mais aqueles que já se sentiam afundados. Não seja dramática, alguns pensarão. Ok, talvez nem todo mundo esteja se sentindo assim. Aliás, eu tenho certeza que existem (elas sempre existem!) exceções, e se você for uma delas, então me da um abraço por favor, que eu quero pegar um pouco dessa tua energia boa pra mim! 
O ponto é o seguinte: pra todo canto que se olha a gente vê descontentamento, discórdia, ódio e medo. Pessoas se matando por terem pontos de vista diferentes. Uma economia quebrada. Um governo decadente e sem nenhuma opção descente para sua substituição. Pessoas se matando por terem pontos de vista diferentes (eu sei, eu já disse isso antes, mas é que isso tá tão forte que a gente repete pra dar ênfase!). E eu ainda não vi uma única previsão boa sobre a situação atual (nem pro país, nem pras pessoas!).
Otimistas diriam que temos que colocar nossa fé na nova geração. Pois bem, a geração Y (que no caso é a minha!) é taxada como a pior geração. Somos vistos como folgados, iludidos e pretensiosos que acham que são donos do mundo. 
É, fodeu de vez...
Será? Não, eu juro que não estou aqui pra jogar mais um balde de pessimismo em vocês. 
Todos nós já lemos essa estória. E se você ainda não leu, é só procurar em algum livro de história. A estabilidade não é privilégio eterno, nem da economia, nem da política, e nem do ser humano. Os altos e baixos estão sempre aí pra atazanar a gente. Só que a gente precisa viver com eles. E ainda que o buraco pareça fundo, tem que continuar olhando pra luz que tem lá em cima. Por que sempre tem uma luz. Sempre teve! Não é possível que agora, em pleno século XXI, tendo o homem segurado tanta barra e superado tanta fossa que a gente vá afundar de vez. Em algum momento as coisas vão mudar pra melhor de novo. 
Mas enquanto não mudam, dá pra a gente tentar se moldar pra aguentar a bad. Não dá? É só deixar o facebook um pouquinho de lado, com todos os discursos de ódio e intolerância que estão distribuídos pela nossa timeline. Ignorar aquele comentário desnecessário daquela pessoa desocupada que vem te encher a paciência. Ver uns vídeos engraçados, umas fotos de bichinhos fofinhos e nenéns dando risada. Aprender a fazer algo novo. Começar um novo livro! (No caso, eu recomendo biografias, porque além de se tratarem de histórias reais, mostram a quantidade de coisas diferentes que uma pessoas pode viver, e isso dá uma esperançazinha a mais!).
Só não pode parar de viver. Isso não.  

domingo, 13 de março de 2016

Não esqueça quem você é.


Eu estou passando por um momento difícil. E é horrível admitir isso, é terrível olhar pro lado e se sentir desamparada, completamente perdida e sozinha. Mas é assim que eu me sinto a quase quatro meses. 
E não é drama, exagero, vontade de chamar a atenção. É tristeza. Agonia. Uma vontade louca de não precisar mais abrir os olhos, ou então acordar um dia sem a habilidade de pensar. Meus sentimentos estão me matando. E a rapidez com a qual eu me destruo me assusta. 
Mas não é este o foco deste texto, é só uma breve contextualização do agora.
Não existe um único motivo. Foi uma junção de acontecimentos, frustrações e finais mal acabados. Coisas com as quais eu não sei lidar direito até hoje. 
Um dia eu acordei e percebi o quão descontrolada estava. Eu já sabia que alguns pontos finais deveriam ser postos em seus devidos lugares. Mas faltava coragem. Ainda falta, porque por dentro de mim ainda existem várias reticências. Mas eu tive que tomar uma decisão e me fixar nela. E no momento em que eu fiz o que tinha de fazer, desmoronei. Mais uma vez. Só que eu não aguento mais fazer isso. Já faz tanto tempo que eu acordo todos os dias me sentindo mal. Que eu não sinto vontade de levantar da cama. Que eu choro na frente das pessoas porque não aguento me conter. 
Eu tinha comprado uma entrada pro show de uma das minhas bandas preferidas, e ele aconteceria naquela mesma noite. Eu estava sucumbindo. Meu corpo doía. Meu coração também. Eu mal conseguia pensar em me arrumar. Faltavam duas horas pra sair de casa. Sai da cama de mal jeito. Passei o mínimo de maquiagem. Coloquei uma roupa confortável. E com um buraco enorme no peito é uma vontade gigante de continuar parada, eu fui. A ida foi mais difícil. Não me sentia disposta. Chegando lá, tivemos que esperar duas horas para o show começar. E essa espera foi angustiante, pois eu só pensava no quanto queria minha casa. Minha cama. Dormir e não acordar mais. A banda entrou no palco. Reconheci aqueles rostos que eu sempre via na TV. Sorri. Eles começaram a tocar e cantar minhas musicas preferidas. Me emocionei. Agradeci a Deus e a minha mãe por não terem me deixado ficar em casa. Eu teria perdido a chance de ver pessoas que eu admiro. De ouvir musicas que eu amo. De me sentir parte de algo por algumas horas. De me sentir eu durante um tempo. Não havia culpa, nem julgamento. Só a música e nós. Berrando, pulando e desabafando em meio àquelas letras. Eu quero me sentir assim mais vezes. Viver esse momento foi tão bom. Tão necessário. E quando voltei pra casa, consegui segurar essa paz por mais algumas horas. E ter uma noite de sono bem mais tranquila que as anteriores. 
Não estou completamente recuperada. E nem esperava estar. Faz só um dia que tudo isso aconteceu. Acordei meio triste, com um monte de perguntas sem resposta na cabeça. Mas pelo menos eu fui. Passei algumas horas longe da cama, revi amigos que eu já não via a tempos. Me permiti viver um pouco. 
Eu não sei como você está. Se está bem ou se está mal. Se tem tentado fugir de alguma coisa. Se você também não aguenta mais. Mas se o seu coração também anda enfraquecido, eu tenho um conselho pra te dar: não deixe a tristeza te impedir tanto. Muitas vezes a gente sai de casa procurando uma resposta, e volta com mais dúvidas. Eu sei. Tem dias que tudo dói tanto que a gente acha melhor desistir mesmo. Ficar onde está. Chorar em silêncio. Mas não deixe essa sensação te dominar. Não deixe de fazer algo que você queria muito por conta de sentimentos que você não consegue controlar. Vai com medo. Com o coração quebrado. Com as pernas trêmulas. Vai.
Você precisa fazer isso por você. Por que se não for tu, ninguém mais vai.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Sobre pequenos grandes passos.

Esse final de semana criei coragem e risquei um desejo antigo da minha lista; saí do loiro e pintei os cabelos de castanho acobreado. Já fazia tempo que queria fazer algo do gênero, mas morria de medo de ficar um lixo e me arrepender depois. Aliás, sempre tive um pavor enorme de arrependimento. 
Outro receio que também costumo ter é com a opinião alheia. É como se eu me escondesse o tempo todo, e fizesse sempre o possível pra tentar agradar todo mundo ao meu redor. Após muito disso o tempo todo, também acabei notando a coisa mais óbvia do universo; é impossível conquistar a todos. E o excesso de tentativa só me deixou mais frustrada, triste e solitária. Cheguei a um ponto em que a paranoia era tão grande que eu preferia recusar convites, me afastar das pessoas e não deixar que ninguém se aproximasse. Sentia que minha presença incomodava a todos, e até a minha sombra me incomodava. Eu não queria só ficar sozinha, eu queria me afastar de mim (como se isso fosse possível...).
Antigamente eu fazia terapia, e falar sobre todos aqueles dramas tornava-os menores. Mas meu, fala sério, eu tenho vinte anos de idade, faço faculdade fora da minha cidade e após um tempo administrando tudo sozinha, decidi que já não quero depender de ninguém. Nem da minha psicóloga. Se sou em quem arruma a bagunça que faço aqui fora, que aprenda a organizar o que se passa aqui dentro também!
Me deixei. Gastei cada segundo melancólico dos meus dias escrevendo sobre aquilo. Guardei aquela frases, e depois reli todas cuidadosamente. E então comecei a observar a vida daqueles que conhecia. Seus erros, seus acertos, suas tentativas. Percebi o quanto todo o drama que faço é bobo. Que o acúmulo de erros é só um detalhe em comum entre todas as pessoas. Que se eu continuasse inibindo todas as minhas vontades seria sempre uma marionete. Eu me tornaria exatamente aquilo que as pessoas esperam que eu seja, e me afastaria completamente do que quero ser. 
Decidi começar do zero. Devagar. Sem pressa. Mudo um detalhe aqui, e outro ali. Valorizo um pouco mais as minhas ideias. E opto por aquilo que me agrada, mesmo que "meus expectadores" façam bico. Pois quando se trata da vida alheia é só o que somos; meros expectadores. Lembro-me que ninguém sabe o que se passa por dentro do outro, e muito menos se importa. Então é isso. Esse fim de semana mudei a cor do cabelo(e gostei do resultado, apesar de ter detestado minha franja, que resolvi cortar também), e ouvi mais elogios que esperava, mas também escutei algumas reclamações do tipo; você está estragando o seu cabelo, eu queria ter a cor do seu cabelo, prefiro você loira. Mas tudo bem, pois as luzes o estragavam muito mais, eu sempre odiei a cor natural do meu cabelo, e gosto dele escuro. Tudo pronto, tudo lindo. 
Bom, pra terminar, espero que a gente possa tomar as nossas próprias decisões, e acertando ou errando, que consigamos lidar com as consequências delas sozinhos, e que respeitemos também a individualidade alheia.

domingo, 7 de setembro de 2014

Bukowski: Born into this.


Realista, intenso e poético; é assim que eu defino o documentário Bukowski: Born into this. O filme, de quase 120 minutos, conta a história do escritor Charles Bukowski, conhecido por sua escrita forte e desinibida. Confesso que não sou uma especialista sobre o autor, só li dois de seus livros, por enquanto; Hollywood, e Ao sul de lugar nenhum. Mas o que mais me chamou atenção em ambos é a brutalidade de suas palavras, muitas vezes pessimistas, mas firmes e reais. Suas principais temáticas são as mulheres, o sexo, o excesso de álcool, além de apostas em corridas de cavalo, paixões do autor, que coloca muito de si em seus livros. Outra característica do autor é o uso de palavrões o tempo todo, e a sinceridade. O homem realmente não tinha papas na língua (característica em especial da qual gosto muito).
Mas voltando ao documentário, sinto que foi feito para os admiradores do autor, contando sua história na ordem de seus escritos. O filme começa mostrando o velho Bukowski, já mais velho e conhecido, declamando um de seus textos pra uma plateia, e essa cena se reveza com depoimentos de conhecidos e íntimos do autor sobre o mesmo. Entre esses depoimentos, passam-se cenas de entrevistas a Bukowski, nas quais ele conta, muitas vezes, a mesma história que seus conhecidos estão contando, a sua maneira. E o contraste entre as narrações se encaixam de maneira delicada e bem feita no decorrer do filme todo, que termina com a morte do autor.
Como já disse, o documentário não se passa na ordem cronológica; nascimento, infância, adolescência, vida adulta e morte, mas sim na ordem de seus escritos; o começo desconhecido do autor, que vivia pelas palavras, apesar de ter de conciliar sua paixão com empregos que odiava pra se sustentar, seus primeiros textos publicados, a fama, enfim, sua evolução literária. Sua infância só é narrada com mais detalhes no momento em que o autor já é bem mais velho e conhecido, quando ele finalmente se permite escrever sobre essa fase de sua vida que lhe trazia sempre tanto sofrimento.
O documentário também faz questão de dar ênfase no lado sensível e humano de Bukowski. Um lado que o autor evita mostrar em seus escritos e em seu cotidiano, mas que está lá, corroendo-o. Os relatos mais interessantes são os feitos pelo próprio Bukowski, em algumas entrevistas, quando ele assume que muitas vezes se comporta como um idiota, mas se sente mal por isso. Essa exposição torna o filme ainda mais poético e me fez simpatizar mais com o autor.
O filme também trás depoimentos de fãs do autor que não chegaram a ter contato íntimo com ele, como Bono, vocalista da banda U2. A admiração do cantor pelo autor é bonita de se ver e ouvir.

Enfim, apesar de meio antigo (o filme é de 2003), é um documentário bem feito, que trás muita realidade e poesia, com depoimentos emocionantes. Há arte no fundo da alma do Velho safado. Uma arte diferente, suja, rude, mas que transborda de dentro dele, e foi isso o que me fez amar tanto o filme. Meu conselho? Assistam.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O que é que a fulana tem?


 O que é que ela tem, afinal? Frequentemente ouço comentários, leio textos, e até assisto, tanto em seriados e filmes, quanto no dia a dia, garotas inconformadas por que “aquele” cara não olhou pra ela, ou ainda porque está com outra, aparentemente sem graça nenhuma. Aliás, acredito que dificilmente alguma mulher não tenha passado por isso, pois somos seres com PHD em neurose e profissionais em achar defeitos (tanto nas demais mulheres, quanto nos homens e em nós mesmas). E claro, fazemos questão de parecer impecáveis umas para as outras.
Sim, a célebre frase de que as mulheres se arrumam para outras mulheres é a mais plena realidade. E isso que nos deixa tão equivocadas quando vemos nosso ex com uma garota mais simples que nós, que aparentemente não é tão bonita, ou inteligente, ou divertida. E damos a ela o famoso apelido de “sem sal”, além de outros. Mas calma, meninas, não é só conosco! Há muitos homens que também tem essa mania de se comparar com os outros(bem menos que a gente, claro! Massss.....) quando se trata de sua mulher amada. Eu mesma conheço várias histórias. Esse ciúme, misturado com obsessão e uma boa dose de masoquismo é algo universal. Ficamos malucas, gastamos nosso tempo observando aquela pessoa obcecadamente, na procura de um “porquê”, mas ainda que não nos tornemos stalkers profissionais, ocasionalmente, ao vermos o casal na rua, nos perguntamos como aquelas duas podem estar juntas. 
Como nós, mulheres, temos essa enorme tendência em encontrar defeito em tudo que é detalhe nosso, culpamos nosso peso, altura, cor dos olhos, nosso cabelo, ou até mesmo a unha do mindinho do nosso pé. Mesmo após as dietas, as horas de academia e no salão, e o monte de dinheiro comprado em roupas e sapatos. Estou errada? E então, após mais um monte de tratamentos de pele, e todos os demais cuidados que temos, ainda não conseguimos entender porque não fomos notadas. 
Mas minhas amigas, há um certo detalhe que, devido a correria do dia a dia e todos os padrões de beleza que a mídia nos divulga, acabamos esquecendo; as pessoas são extraordinárias nos pequenos detalhes. Não é uma sobrancelha perfeita, nem um cabelo hidratado, ou um corpo sarado que nos torna radiantes. E te digo mais, é o jeito destrambelhado como ela anda, o sorriso tímido que ela tem, a apreciação que ela faz das coisas simples do dia a dia, o modo como ela defende suas opiniões em uma conversa, mesmo que sejam diferentes das dele; foi isso o que ele viu nela, e que você não conseguiu mostrar. O modo como ela se comporta perante as situações corriqueiras, o jeito como ela consegue faze-lo sentir-se especial. 
E enquanto você os olhava e se perguntava como eles poderiam estar juntos ela também pode ter reparado em você. Naquele mesmo instante, ela poderia estar olhando pro seu cabelo e se perguntando o que você fazia pra deixa-lo tão bonito, ou onde você comprou aquela roupa linda que estava usando, ou, na pior das hipóteses, poderia estar sentindo dó de você, que pra ela, aparentava ser extremamente sem graça e solitária.
Enfim, impressionar uma mulher por aquilo que se aparenta é fácil. A gente olha mesmo, e sempre tem algum comentário ou crítica pra fazer. Mas o amor a gente conquista, e não há dinheiro e dieta no mundo que facilite a negociação.

domingo, 22 de setembro de 2013

"Ich danke dir für all das Gute und Liebe und Schöne!"


Começo esse texto por estar terminando um dos melhores livros que já li na minha vida. Sempre ouvi comentários maravilhosos sobre O diário de Anne Frank, mas ao decorrer da história ficava cada vez mais impressionada com o dom e a capacidade interpretativa que aquela garota de apenas treze anos de idade tinha. E a cada página virada, me surpreendia ainda mais.
Confesso que esperava muito mais melancolia, e ao ver o jeito tão otimista e belo com que Anne descrevia sua vida na maioria de suas cartas, me senti ainda mais comovida e apaixonada pela história. Meu único lamento é que ela não tenha vivido mais tempo, pois tenho certeza que nos presentearia com vários livros maravilhosos.
Ainda não terminei o livro. Aliás, pretendo fazê-lo ainda esta noite, porém tenho um grande receio por essas próximas vinte páginas que faltam pra que eu o acabe, pois no fundo do meu coração, eu queria que essa leitura não terminasse.
O que me felicita, é saber que sua história pôde ser compartilhada ao mundo, confesso que consigo imaginá-la comemorando pelo sucesso que, aposto, ela não esperava fazer.
Termino esse texto, com uma mensagem direta a Anne, mesmo que ela não possa lê-la, e o pedido de que se você ainda não leu seus relatos, leia. Garanto que nenhum segundo de leitura será perdido.

Querida Anne,

Obrigada por me presentar com seus relatos, compartilhando um pouco de sua vida comigo. Não só por ter grande importância histórica, mas também pela riqueza do conteúdo sentimental que você pôs nela. Sua sinceridade e seu modo de ver o mundo me contagiaram, e me fazem querer enxergar a vida de um jeito mais bonito. Obrigada por me mostrar que a verdadeira felicidade está em poder olhar um céu azul durante uma tarde quente, sentir o vento tocando meu rosto, e poder respirar o ar puro, sem ter de me preocupar em ser pega fazendo-o. E por renovar minha fé, pois mesmo que as coisas não saiam exatamente do modo como queremos, ao ler seu presente sabendo do seu futuro, não pude deixar de ligar alguns pontos, que me deram a impressão de que Deus realmente faz tudo acontecer na nossa vida na hora certa, e que absolutamente tudo tem um motivo maior. 
Acredite, seu confinamento não foi em vão, pois se não fosse por isso, Talvez você não tivesse a oportunidade de amadurecer tanto, passar tudo isso pro papel, e tocar a vida de tantas pessoas, assim como tocou a minha.
Agradeço novamente, do fundo do meu coração.

Maria.  

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Laços(Ties).


Após muito pestanejo, acho que acabei me convencendo de que nessa vida, muito se cultiva, se colhe, se escolhe... Mas as melhores coisas e pessoas ainda são aquelas que não escolhemos. E sim que a vida escolhe por nós.
O destino se encarrega de nos colocar em lugares em que não gostaríamos de estar, só pra nos presentear com o inesperado. E justamente por ter acontecido naturalmente, dura.

Acho que não estou sendo tão clara naquilo que quero falar. Como posso explicar?

A vida acontece. Todo o dia, a cada segundo, mesmo enquanto dormimos. E no meio de nossa existência, acabamos conhecendo músicas, filmes, livros, e pessoas... E como todo ser humano, acabamos nos relacionando entre nós. Criando laços.
Mas com o passar do tempo, alguns laços se desfazem sozinhos. E na tentativa de não perdê-los de vez, os transformamos em nós. E como esperado, e indesejado, sufocamos, abafamos, e destruímos de vez algo que já sabíamos que não existia mais, de uma maneira muito mais dolorosa.

Mas a vida continua, apesar dos laços desfeitos. E decepcionados com aquilo que perdemos, alguns de nós optam por viver um dia de cada vez. Aproveitando as pessoas queridas que passarem por nosso caminho hoje, sem nos esforçar tanto pra que elas continuem andando conosco amanhã. E são essas as que permanecem. 

Acho essa uma das coisas mais bonitas da vida. O inesperado. Aquilo que antes era inimaginável, mas se torna real. Aquilo que cria raiz sem que precisemos nos esforçar muito pra cuidar. Aquilo que fica e só.
Ainda não sei se consegui ser clara o suficiente, mas espero que as interpretações de vocês sejam boas. Vim aqui por um surto de inspiração e energias positivas, e pra finalizar, queria deixar aqui meu pedido pro restante de Setembro(e pro resto do ano, dos próximos anos...): Que as boas surpresas continuem vindo, e que as ruins nos deem alguma recompensa também. Que os sentimentos bons criem fortes raízes em nossos corações, e que os laços se desfaçam, mas que não virem nós.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Com todo o meu afeto, pra você.

Hoje meu salve vai para aqueles que ainda não desistiram. Aqueles que tentam da melhor maneira que podem, que não acham que correr atrás de seus objetivos é besteira.Que sabem que quando se trata de tornar o impossível possível, não se perde tempo, se investe.E sabem investir seu tempo, seu foco, sua alma.
Para esse tipo de pessoa, nada é em vão se possibilitar uma vitória. Mesmo que a chance seja pequena. Ela existe. Mesmo que muitos digam que não.
Para essas pessoas, sonhar é coisa séria. E é por isso que acabam sempre comprando briga com cada cético que ouse lhes contrariar.
Para elas, deixo aqui, meus cumprimentos, com toda a minha admiração e carinho também. Desejo que não parem de tentar, que não percam sua essencia, e que possam levar sua ideologia a mais gente, porque acho que é disso que o mundo precisa; um pouco mais de coragem, de fé, e de sonhos.
Boa noite, Maria.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O mundo vai acabar, e ela só quer dançar.

E lá veio o Dinho, como sempre me traduzindo em seu repertório.
Acho que toda a garota já ouviu, cantou, e amou Natasha, e que pelo menos uma vez, pensou em fazer o mesmo que Ana Paula.
Mudar o corte e a cor do cabelo, sacar todas as economias, e fugir, sem saber pra onde, mas com a certeza de não há como voltar atrás.
Como paranoica, desequilibrada, e pseudopoeta, sempre penso que nenhuma música foi escrita em vão, e hoje enquanto ouvia essa, da qual nunca enjoo, me perguntei sobre Ana Paula. Não sei quem é, mas aposto que ela existiu, e que existiram muitas como ela.
Imagino-a como uma garota calma, recatada, tímida e com educação impecável. O exemplo de filha, namorada e aluna perfeita. Vivendo uma vida ideal, com o futuro todo planejado. Faculdade, casamento, filhos. É, ela tinha tudo em sua mão. Me pergunto, então, o que a levou a partir daquele jeito, sem se incomodar em dizer adeus, e sem nenhuma pretensão de voltar... Após um breve momento de meditação, rio de meu questionamento. Sei que toda a garota já brincou de casinha, já sonhou com o príncipe encantado, e escolheu um zilhão de nomes diferentes para seu primeiro filho. Se formar, se casar, ter filhos. Esse é o sonho perfeito que todas deveríamos ter. Ou uma antiga imposição que era feita a nossas avós, por seus familiares, e de quando em quando, ainda é passada pra nós. Mas...
Ana Paula não passava dificuldades, não causava problemas, e sabia exatamente onde iria chegar. Faculdade, casamento, filhos. Sua vida estava toda programada, e acredito que esse tenha sido o gatilho de sua fuga. Todo aquele excesso de certezas, toda aquela vida planejada, aquilo deve tê-la sufocado. Não me levem a mal! Não tenho nada contra quem sonha em constituir uma família e levar uma vida tranquila, muito pelo contrário, eu mesma também tenho esse desejo. Mas acredito que o excesso de planejamento não nos leve a lugar nenhum, pois o excesso de idealização nos tira da realidade, e nos joga em um abismo de paranoias, que desacata insônia, pesadelos, enfim. Ok, eu posso estar exagerando. Ok, esse pode não ser o seu caso, eu sei. Mas acho que Ana Paula vivenciou as cenas que venho descrevendo e que isso a apavorou. Afinal, é normal ter medo do futuro. Tenho certeza de que ela amava seus pais, talvez gostasse de seu namorado, mas por ficar tanto tempo presa naquela vidinha perfeita e tão cheia de certezas, ela se desesperou. Amava tudo o que tinha, mas queria mais. Queria conhecer o outro lado da moeda, sentir o gosto daquilo que ainda não havia provado. Queria viver um pouco, antes de se acomodar. E então radicalizou, enterrando de vez Ana Paula, junto com todos os sonhos que tinha e “dando a luz” a Natasha, a inconsequente desandada que só queria mais um trago, mais um drink e mais uma música...
O mundo vai acabar, e ela só quer dançar...  Era isso, já não se importava mais. Viveria um dia de cada vez, sem pensar em seu futuro. Tornou-se o extremo daquilo que ainda não vivera.

Me desculpo pela confusão aos que não entenderam o ponto em que quero chegar, e explico; Não há nada de errado em descer do salto de vez em quando. Todos precisamos de tranquilizantes pra mente e um pouco de indiferença. Mas é possível incorporar nossa Natasha sem estrangular de vez Ana Paula. Adquirindo responsabilidade(e irresponsabilidade) na hora certa. Pra os que me acompanharam até aqui, deixo minha conclusão; se dosem. Sejam um pouco de tudo. Mas não sejam demais. A vida é uma corda bamba, e se a gente não se equilibrar, cai.  

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Tô me namorando.

Nunca entendi direito a obcessão que algumas pessoas têm de estar sempre com alguém. É como se a ideia de estar sozinha as fizesse inferiores aos demais. A própria companhia não as basta.
Não estou generalizando. Conheço muitas pessoas que gostam de estar acompanhadas simplesmente por apreciar a companhia do outro, mas que não se martirizam quando estão solteiras. Mas sejamos sinceros, não são todos que conseguem esse equilíbrio.
Nunca namorei sério. Atualmente, não sinto vontade. Algumas pessoas ficam inconformadas com isso, não conseguem entender, e não conseguem disfarçar os olhares indignados. E sinceramente, não me importo. Só não entendo.
Será que é MESMO necessário estarmos comprometidos em todos os sentidos com alguém, pra estarmos felizes?
Vivo, atualmente, uma experiência que gostaria que todos tivessem a oportunidade de vivenciar; o aproveitamento de minha própria companhia.

Tô me namorando, as vezes brinco.
E isso não significa que estou sozinha, muito pelo contrário. Há sempre pessoas interessantes ao meu redor. Só que sem a necessidade do comprometimento, das eternas brigas, e das dores de cabeça constantes que duas pessoas podem se proporcionar.
Não me levem pelo lado errado, também não estou dizendo que “tô pegando todo mundo”. “Solteira sim, sozinha nunca.”, no sentido “literal”. Isso é desnecessário, e algo a que não consigo a me habituar.
Só que quando estou com alguém, por aquele momento, me sinto feliz por estar onde estou e com quem estou. Sem esperar por uma continuidade. E no momento seguinte, quando estou sozinha num sábado a noite, embaixo das cobertas vendo um filme, também me sinto realizada. Seja com meus amigos, comigo mesma, com meus pais, enfim. Não há martírios, ciúmes, e paranoias. Não há sentimentos exacerbados. Assim consigo aproveitar melhor cada momento, sem nenhuma culpa.
Minha inspiração aumentou. Minha vontade de estudar também. Até mesmo minha esperança, que até pouco estava morta.
Vejo muitas pessoas cultivando um relacionamento, por medo de ficarem sozinhas pra sempre. Ou outras paranoias. Não as entendo. Talvez, ao se libertarem de um sentimento que as machucam, e se permitissem a solidão, o autoconhecimento, e o conhecimento de mais pessoas, se sentiriam muito mais felizes e realizadas. Mesmo “sozinhas”.

Então, termino esse texto, dando o seguinte conselho aos que estiverem presos; libertem-se. Eu juro que não dói. Só no começo, ok, pois tirar alguém que significou tanto da sua vida sempre trás um pouco de incômodo no início. Mas passa rápido, falando sério. Na hora certa, quando você menos esperar, alguém pode aparecer, e te transbordar. Enquanto isso se complete! Nascemos todos sozinhos, e não levaremos ninguém conosco na hora de nossa partida. Além disso, não precisa se estar em um relacionamento pra ter com quem compartilhar a vida. É pra isso que existem os amigos e a nossa família. O mundo está cheio de pessoas interessantes, e se você procurar bem, vai se surpreender com as descobertas que fará.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Dezenove.



Há anos que venho pregando ódio e pragas ao meu aniversário, data que dificilmente me trás boas recordações. Sou supersticiosa e rabugenta, o que junto ao meu pessimismo, explica minha birra eterna com aniversários.
Mas esse ano resolvi me rebelar, só pra ver no que dava...
Bom, só dessa vez, resolvi esquecer meu ódio e fingir que era criança novamente. Quando aniversários eram sinônimos de bolo, amigos e bexigas coloridas.
Tirei o Um dos Dezenove anos que estou fazendo, e fui, toda feliz, comprar chapeuzinho de festa, um pedaço de bolo, e velinhas, pra cantar parabéns sozinha quando desse meia noite.
Vai que desse certo? Que a sorte mudasse, se eu fizesse o ritual corretamente? Bati palmas, ri da minha própria idiotice, fechei os olhos, fiz um pedido, e assoprei aquelas velas no pedaço de bolo com a esperança e ansiedade de uma criança de nove anos de idade. 
Vai que desse certo?
Dormi tranquila. Acordei bobona, ao meio dia. Almocei um outro pedaço de bolo, sem me culpar pelo excesso de açúcar, e adivinhem só? Me sentia contente.
Um legítimo milagre, devo acrescentar... E por falar em milagre, meus pais me compraram salgadinhos, que fiz questão de dividir com meu novo melhor amigo, que como todos os dias, passou aqui em casa na hora do almoço. Também lhe dei um chapeuzinho de festa. Se fosse pra comemorar, faria decentemente.  
Em seguida, tive uma ideia inusitada. Sentei em frente ao computador, e fiz aquilo que mais gosto no mundo; escrevi até o cérebro se cansar. 
E no meio da euforia do cansaço, uma surpresa maravilhosa. 
Recebi a visita de duas grandes amigas, uma ao vivo e a outra em  pensamentos. 
Ah, que delícia. Mais um milagre pro meu dia, que em seu decorrer, apesar de pequenos detalhes, foi maravilhoso. Ao anoitecer, fui beber um pouco com meus melhores amigos, que foram felizes e contentes me dar um abraço, apesar do frio de cortar a pele que estava fazendo. Fomos todos pra casa em seguida, onde fizeram questão de cantar parabéns e o bendito do com-quem-será(a propósito, venho noticiar que se tudo der certo, estou noiva do Orlando Bloom, haha). Por dentro, transbordei de felicidade.
Talvez o feitiço tenha realmente funcionado, a sorte tenha mudado, e ao fazer o contrário do que normalmente desejo fazer durante meu aniversário(que seria ficar em casa sozinha, chateada por estar um ano mais próxima de um túmulo) eu tenha quebrado o ciclo triste que a data me lembra.
Talvez seja essa a solução de todo o problema. Fazer o oposto do normal. O imprevisível. 
Termino esse dia, que acabou sendo tão maravilhoso pra mim, grata por todas as pessoas maravilhosas que fazem parte da minha vida e que fizeram questão de demonstrar seu carinho por mim de alguma forma. Pois elas foram o melhor presente que ganhei. E não as trocaria. Cada ato, abraço e palavra fazem desse um belo recomeço. Um excelente primeiro capítulo dessa minha nova história. E é por querer sempre lembrá-lo que o compartilho aqui, pra quem quiser ler, com um conselho como desfecho;
Quando tudo parecer complicado, fechem os olhos, respirem fundo, e voltem a ser crianças. Essa é a maior simplicidade da vida. 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Promessa passageira.

Comprometo-me a ser a única responsável por aquilo que cativar, e cuidar bem do meu coração, sendo também a única com o poder de parti-lo de vez em quando. Prometo estar em constante processo de renovação, e não me deixar de lado. Por nada, nem por ninguém. Prometo surtar, vez ou outra, pra não enlouquecer de vez. Prometo continuar desprendida, e não me deixar aprisionar... E principalmente, prometo tentar cumprir essas promessas. Um dia de cada vez. Mas sem pressão, sem culpa, se houver alguma falha. Por que viver é bem isso; tentar, esperar e só.

domingo, 21 de julho de 2013

É.

Ainda bem que a vida nos proporciona sempre um amanhã. Ainda que ao sentirmos o toque quente do sol em nosso rosto, sentimos um pouco de conforto. Ainda bem que cada hoje significa que o ontem já passou, e que a possibilidade de um amanhã nos dá esperança de que tudo pode mudar.
Ainda bem que cada escolha nos dá a oportunidade de um novo erro, e que cada erro, pode ser convertido em um aprendizado.
Ainda bem que de vez em quando a gente surta, extravasa tudo que precisa sair de dentro de nós, e que isso dá espaço pra uma renovação dentro de nós.

Ainda bem...